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Projectos ONG's e outros organismos de apoio ao desenvolvimento
      Introdução

As ONG, e outros organismos de apoio ao desenvolvimento e assistência humanitária, pilar essencial da cooperação internacional, mereceram desde o início particular atenção e apoio do CATTL. Em cenários de emergência ou de ajuda ao desenvolvimento, estas organizações da sociedade civil não só preenchem vazios estruturais inerentes a situações de crise, como também - e este sim é o grande desafio - são agentes geradores e promotores do desenvolvimento. E de um desenvolvimento que se pretende estruturado e estruturante, sustentado e sustentável.








Modelo de Desenvolvimento
 
Estruturado e portanto, planificado. Partindo de um levantamento minucioso e de elevado rigor técnico, fixam-se os objectivos e determina-se a estratégia a seguir.
Estruturante e portanto, formativo. Permite capacitar agentes locais e transferir competências e conhecimentos.
Sustentado e portanto, participado e adequado. Retoma e dinamiza recursos locais, humanos e materiais, e integra e contempla as múltiplas especificidades do destinatário e do meio.
Sustentável porque não cria dependências e prolonga-se para além da acção de cooperação, permanecendo susceptível de ser gerido e potenciado pelos agentes locais.




Príncipio de subsidariedade
 
Tomando como ponto de partida este modelo de desenvolvimento, o CATTL assentou a sua actuação no princípio da subsidariedade, não tendo por objectivo substituir-se às iniciativas das ONG, mas ao invés, promover a sua participação directa, logisticamente apoiada, cabendo-lhe antes a responsabilidade de assegurar uma intervenção coordenada e integrada, e, obviamente, legitimada pelas autoridades timorenses.




Estruturar Quadro de Intervenção
 
No entanto, concretizar este modelo funcional de trabalho constituiu, quer para o CATTL, quer para as ONG, um desafio de extrema exigência. Desde logo, foi necessário responder a uma verdadeira explosão de solidariedade que, amordaçada durante mais de duas décadas, irrompeu vigorosa mas por vezes desestruturada, ou simplesmente desfazada da realidade no terreno. Havia, no entanto, que salvaguardar as mais valias e o contributo de cada ideia, de cada projecto, sem que a pressão das circunstâncias lhes retirasse a sua validade e viabilidade.




Núcleo de informação
 
Assim, e por forma a estruturar um quadro de intervenção que permitisse potenciar tanto quanto possível a intervenção das ONG portuguesas, o CATTL propôs e apoiou a criação de um Núcleo de Informação sobre Timor Leste que logo em 1999 começou a funcionar no seio da Plataforma Portuguesa das ONGD. O Núcleo tinha como função reunir e difundir informação pertinente sobre o território e assim contribuir para uma melhor articulação do trabalho das ONG portuguesas, bem como entre estas e outros intervenientes como sejam as Nações Unidas, União Europeia, países financiadores e ONG timorenses.

Simultaneamente, e já no que diz respeito a questões logísiticas, foi necessário superar o rigor da distância, as dificuldades de transporte e de comunicação, assim como a escassez dos meios essenciais para operacionalizar os projectos a partir do território.




Apoio Logístico
 
Para obviar a estes constrangimentos, o CATTL, sempre que solicitado, assegurou gratuitamente o envio, quer por via aérea, quer por via marítima, de material para as ONG, tendo igualmente procurado atender todas as solicitações no terreno relativas à concessão de material, viaturas e outros meios logísticos.




Promover Parcerias
 
Quanto à implementação dos projectos, e com o mesmo intuito de fomentar e alargar a participação das ONG, foram promovidas parcerias, (caso da CIC-Cooperação Intercâmbio e Cultura e da ASP - Associação Saúde em Português, ambas responsáveis pelos cuidados de saúde no subdistrito de Maubisse, tendo inclusivamente surgido outras de forma espontânea, como foi o caso dos MDM e da INDE que optaram por partilhar a residência, reduzindo gastos e permitindo um maior entrosamento e complementaridade do trabalho de ambas as organizações. Já de contornos distintos, surgiu um consórcio entre o IMVF - Instituto Marquês de Valle Flôr e o CIDAC - Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral, que permitiu tirar proveito do saber acumulado por ambas as ONG e assim potenciar o trabalho e sobretudo os resultados junto do parceiro local.




Recursos Humanos
 
Para responder à necessidade de contratação de profissionais credenciados e permitir às ONG contar com com as competências de especialistas afectos a institutições públicas ou privadas, o CATTL deu seguimento à proposta da Plataforma e alargou o âmbito de aplicação do Decreto-lei 10/2000, de 10 de Fevereiro , às ONG. Enquadrados por esta legislação, os cooperantes conservam as prerrogativas jurídico-laborais inerentes à sua carreira, sendo o seu salário base pago pelo serviço de origem, cabendo ao CATTL assegurar o pagamento das viagens e seguros, de um subsídio de embarque de cerca de 250 €, um suplemento de missão entre 800 a 1200 USD, consoante o indíce salarial, havendo igualmente lugar ao pagamento de um subsídio de renda de casa quando não disponibilizado alojamento. O recurso a este instrumento legal por parte das ONG encorajou nomeadamente a contratação de médicos e enfermeiros que viram contabilizado o seu tempo de serviço, permitindo às ONG contar com maior número de elementos portugueses nas suas missões.

Também na área do ensino, as ONG puderam contar com professores detentores de habilitação própria, (caso dos Leigos para o Desenvolvimento e da Fundação Evangelização e Culturas) assegurando a qualidade do trabalho desenvolvido em conformidade com os padrões previstos na lei para o ensino em Portugal. Do mesmo modo, o CIDAC recorreu à contratação de uma funcionária pública do quadro do Ministério da Educação para assegurar a abertura de uma representação em Díli.




Complementaridade entre Projectos
 

Por último, ciente da dimensão da presença portuguesa nas mais diversas áreas e sobretudo do inestimável valor do capital humano que dinamizou e deu rosto a acção das ONG portuguesas em Timor, e consequentemente à cooperação portuguesa, o CATTL procurou sinergias e complementaridades entre os projectos, sugerindo acções comuns que, aproveitando a mais valia e especificidade de cada projecto e de cada organização, permitissem potenciar resultados.




4,5 milhões de euros - 70 projectos - 53 0rganizações
 

Seguindo esta linha de acção, o CATTL e as ONG puderam assim dar corpo a uma parceria de trabalho que cobriu os mais diversos domínios da cooperação, desde a assistência de emergência até à formação profissional, passando pela saúde, o ensino, a agricultura, assistência social, os Direitos Humanos, o reforço da sociedade civil, totalizando mais de 70 projectos e 53 entidades financiadas, ultrapassando os 4,5 milhões de euros, ou seja, mais de 915 mil contos, consagrados a este capítulo da cooperação com Timor.

Terminado o período de transição e volvidos mais de dois anos sobre a histórica consulta popular de 30 de Agosto de 1999, Portugal e as ONG da sociedade civil portuguesa estão hoje muito mais próximos de Timor e do seu povo.