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Projectos
ONG's e outros organismos de apoio ao desenvolvimento
Estratégia
e intervenção: 2º momento
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O
Sector da Saúde |
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Foi efectivamente num contexto de emergência humanitária,
logo em Setembro de 1999, que se processou a entrada das ONG
portuguesas de saúde em Timor. As respectivas equipas
médicas, que rapidamente se espalharam pelo território,
desempenharam um papel fundamental na assistência aos
refugiados e população deslocada, tendo assegurado
para além dos cuidados de saúde, a distribuição
de alimentos e bens de primeira necessidade, contribuindo para
pôr cobro ao cenário de emergência.
Mas a verdade é que durante este período, a actuação
destas organizações foi em grande parte ditada
pela força das circunstâncias, não existindo
um plano global de acção nem mesmo um padrão
de procedimento. Na fase pós emergência, este tipo
de actuação, para além de desadequado,
poderia mesmo revelar-se contraproducente causando uma pulverização
de recursos sem garantias de mais valias efectivas para a população.
Alcançada a pacificação do território
e controlada a situação dos refugiados, foi possível
avançar na consolidação da administração
das Nações Unidas que gradualmente, e nas mais
diversas áreas, e contando com o apoio de diversas agências
especializadas e outros organismos como a UNICEF, o PNUD, a
OMS, o Banco Mundial, a ECHO, entre outros, foi dando corpo
a uma estrutura organizacional competente para delinear estratégias,
definir políticas e tomar decisões.
Pela sua extrema importância e por força das profundas
carências e problemas estruturais de que padecia, o sector
da saúde tornou-se uma área de intervenção
prioritária.
O desafio residia então na articulação
e coordenação destas organizações
e respectivos recursos humanos e materiais, a começar
por uma repartição geográfica das ONG e
a culminar no estabelecimento de uma política definida,
com padrões e rotinas de assistência uniformes,
assim como uma clara repartição de competências
entre os diversos intervenientes, quer ao nível das relações
entre ONG, quer entre estas e os próprios serviços
competentes da UNTAET. As ONG passaram, portanto, a ser parte
de um todo integrado e articulado.
A acção na área da assistência médica
passou então a basear-se em Planos Distritais de Saúde.
Procedeu-se a uma repartição geográfica
por forma a assegurar que cada distrito tivesse uma ONG líder,
responsável pela coordenação da prestação
de cuidados de saúde, estabeleceram-se padrões
de assistência, definiu-se uma tipologia de unidades de
saúde, determinou-se quantas seriam reconstruídas,
os meios de que deveriam dispôr, instaurou-se um esquema
de clínicas móveis, criou-se uma farmácia
central, lançaram-se planos de vacinação,
seleccionaram-se enfermeiros e solicitou-se às ONG que
implementassem os referidos planos, garantindo simultaneamente
a contratação de pessoal médico, por sua
vez responsável pela formação e reciclagem
do pessoal local.
As ONG tornaram-se, desta forma, o pilar de sustentação
do sistema de saúde timorense, inscrevendo-se agora a
sua acção numa lógica de ajuda ao desenvolvimento.
Nesta perspectiva, o CATTL decidiu que a sua intervenção
na área da saúde se efectuaria preferencialmente
e, se possível, exclusivamente através do apoio
financeiro, logístico e de recursos humanos às
ONG e organizações da sociedade civil actuando
nesta área.
Assim, e na sequência do convite do CATTL que gradualmente
foi transferindo competências nos hospitais de Maubisse
e Ermera, às ONG que entraram no território em
Setembro juntaram-se a CIC, a ASP,
e por último o Instituto Marquês
de Valle Flôr. Desta forma, em meados de 2000,
elevava-se a seis o número de ONG portuguesas da área
da Saúde a operar em Timor, sendo de sublinhar que a
AMI, os Médicos do Mundo e o IMVF assumiram a liderança
dos cuidados de saúde respectivamente nos distritos de
Ermera, o mais populoso, de Lautem e de Manatuto, o mais extenso.
A Oikos centrou as suas operações em Same, Aileu
e na Ilha de Ataúro, enquanto a CIC e a ASP deram corpo
a uma estreita e singular parceria de trabalho no Hospital de
Maubisse, cobrindo também localidades do distrito de
Ainaro.
Foi sem dúvida um enorme desafio que se colocou às
organizações portuguesas e por consequência
à cooperação portuguesa. Para responder,
o CATTL reforçou significativamente a sua dotação
financeira que no ano 2000 ultrapassou os dois milhões
de euros, tendo consagrado mais de um milhão ao sector
da saúde, criando um quadro de intervenção
sem precedentes.
Cuidados
de Saúde em Manatuto e Ermera
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AMI - Assistência
Médica Internacional |
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Cuidados de saúde em Manatuto e Ermera;
Financiamento CATTL: 471.563,53 €
ONG líder no distrito de Manatuto
e posteriormente em Ermera
Tendo sido a primeira ONG portuguesa a entrar em Timor,
a AMI começou por estabelecer a sua missão
em Manatuto logo em Setembro de 1999, tendo reabilitado
e equipado as antigas instalações de um
banco que passaram, então, a servir de clínica,
dispondo de sala de pensos, farmácia, sala de partos,
duas enfermarias e sala de observação. A
AMI passou assim a garantir os cuidados de assistência
médica, naquele que é o distrito mais extenso
de Timor, tendo para isso estabelecido um esquema de clínicas
móveis que abrangiam as localidades de Cai Rui,
Laleia, Laclô, Ilieu, Cribas, Laclubar e Soibada.
Posteriormente, já em Março de 2000, a AMI
aceitou a proposta do CATTL e transferiu o seu centro
operacional para Ermera, a fim de assegurar os cuidados
de assistência médica à população
deste distrito, o mais populoso de Timor, com uma população
a rondar as 90 mil pessoas. Contudo, dando cumprimento
às orientações do plano distrital
de saúde e com o intuito de aproveitar a estrutura
hospitalar deixada praticamente intacta, a AMI viria a
fixar definitivamente a sua missão em Gleno, capital
do distrito de Ermera. O Hospital de Gleno, equipado com
sete camas, duas enfermarias, laboratório, sala
de consultas e de observação, assegurava
mensalmente mil consultas, tendo sido estabelecido um
esquema de clínicas móveis para garantir
assistência às localidades mais remotas.
Também em Díli, após reabilitar a
antiga sede de um clube de futebol, a AMI assegurou o
funcionamento da Clínica de Caicoli, apetrechada
com dez salas (farmácia, triagem, pensos, maternidade,
cuidados infantis e consultas de adultos), sendo um dos
estabelecimentos mais procurados da cidade de Díli,
atingindo uma média de 150 consultas diárias.
Refira-se por último, que dando seguimento ao protocolo
celebrado entre a AMI e a ANEM - Associação
Nacional de Estudantes de Medicina, o CATTL concedeu
um financiamento suplementar de € 5.985,60, a fim
de financiar a viagem de quatro finalistas que integraram
a missão da AMI em Timor Leste, permitindo não
só dar a estes jovens médicos uma experiência
de terreno, como também contribuir para a sua sensibilização
no que diz respeito à importância do trabalho
humanitário.
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IMVF - Instituto
Marquês de Valle Flôr |
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Cuidados de saúde em Manatuto;
Financiamento CATTL: 317.724,28 €
ONG líder no distrito de Manatuto
Inicialmente convidado pelo CATTL para abrir o centro
de Saúde reabilitado pela Marinha Portuguesa em
Liquiçá, o IMVF acabaria por vir a fixar
o seu centro operacional no Hospital de Manatuto, onde
anteriormente estivera a AMI.
Desde Setembro de 2000, o IMVF teve por missão
assegurar o funcionamento da rede sanitária e de
cuidados de saúde primários, preventivos
e assistenciais, melhorar o acesso da população
a medicamentos e serviços básicos de saúde;
realizar acções de formação
a pessoal médico local e assegurar a máxima
cobertura da população pondo em funcionamento
estruturas de saúde em localizações
estratégicas bem como através da realização
de clínicas móveis. Periodicamente, o IMVF
fazia deslocar as suas equipas às localidades de
Cai Rui, Laleia, Laclo, Laclubar, Soibada, Natarbora e
Fatumarek, assegurando assistência e acompanhamento
a cerca de 30 mil pessoas.
O IMVF empreendeu acções de formação
e reciclagem do pessoal local participou igualmente no
programa de luta contra a tuberculose e em campanhas de
imunização, entre as quais se destaca a
da poliomelite que alcançou uma taxa de cobertura
na ordem dos 85%.
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Cuidados
de Saúde em Lautem
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MDM-P Médicos
do Mundo - Portugal |
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Cuidados de saúde em Lautem;
Financiamento CATTL: 249.398,95 €
ONG líder distrito de Lautem
Os primeiros passos dos MDM-P no trilho da cooperação
portuguesa estão muito ligados aos momentos determinantes
da História recente de Timor.
Criados em Julho de 1999, os MDM-P fizeram chegar a sua
primeira equipa médica a Timor dois meses depois,
em Setembro. Ainda na fase de emergência humanitária,
esta equipa, composta por quatro médicos, uma enfermeira,
três logísticos e um coordenador, assegurou
assistência médica à população
em Díli, onde viriam a reabrir a Clínica
de Aimutim, e à população de Lautem.
Seria neste distrito da ponta Leste do território
que os MDM-P se fixariam, tendo como centro o Hospital
de Los Palos.
Para além do Hospital, que voltou a dispôr
de laboratório de análises, e de pavilhão
para tratamento de tuberculose, lavandaria e cozinha,
os MDM reabilitaram e apetrecharam os postos de saúde
de Tutuala, Iliomar, Moro, Luro e Loré. Nas localidades
mais remotas, e à semelhança dos restantes
distritos, a assistência foi assegurada através
de um esquema de clínicas móveis. No cumprimento
do plano distrital de saúde, os MDM são
igualmente responsáveis pelo aprovisionamento de
medicamentos, gestão dos serviços administrativos,
campanhas de vacinação, programas contra
a tuberculose, acções de formação
e reciclagem dos enfermeiros e restante pessoal local.
Posteriormente, em Díli, os MDM reabriram o centro
de Komoro, área de residência de cerca de
56.000 pessoas, assegurando as consultas diárias
e a formação do pessoal local.
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Cuidados
de Saúde em Maubisse
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CIC/ASP
- Cooperação, Intercâmbio e Cultura/Associação
Saúde em Português |
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Cuidados de saúde em Maubisse;
Financiamento CATTL: 319.647,57 €
No Hospital de Maubisse, a Missão Humanitária
Portuguesa cedeu lugar à parceria CIC/ASP. Foi,
no cenário da intervenção em Timor,
um caso singular já que não se tratou meramente
de uma parceria de meios, mas antes da criação
de uma equipa mista de médicos, enfermeiros e logísticos
que, em conjunto, asseguraram a prestação
de cuidados de saúde à população
deste subdistrito da região de Ainaro. Apesar de
não ser líder distrital, cabia à
parceria CIC/ASP garantir o funcionamento do Hospital
de Maubisse, estabelecimento de referência para
o distrito de Ainaro e Manufahi, e até mesmo da
população de Aileu. Em Maubisse, a equipa
CIC/ASP retomou as consultas de saúde do adulto,
saúde infantil e saúde materna, aprovisionamento
de medicamentos, procedendo também a acções
de formação e reciclagem do pessoal local.
De acordo com o plano distrital de saúde, a parceria
ASP/CIC assegurou regularmente clínicas móveis
às localidades de Turiscai e Hatubuilico.
O CATTL concedeu ainda um financiamento adicional de 2.494
€ à ASP para reabilitação de
um pavilhão anexo ao hospital onde ficou instalado
o serviço de ambulatório.
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Cuidados
de Saúde em Same, Aileu, Manufahi e Ataúro
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Oikos |
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Defesa dos Direitos Humanos;
Financiamento CATTL: 39.903,83
€
A CDHTL tem em curso um programa para a promoção
e defesa dos Direitos Humanos que contempla diversas acções
na área da investigação de violações
cometidas contra a população de Timor, bem
como programas de apoio com vista à reabilitação
e reinserção de vítimas. O programa
prevê igualmente o apoio à Comissão
Internacional de Inquérito e o acompanhamento e
defesa de casos junto de instâncias judiciais.
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Associação
Saúde em Português/ Forum Timorense |
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Encontro Internacional sobre Saúde
em Timor;
Reforço institucional do Forum Timorense;
Financiamento CATTL : 25.373,85 €
A ASP e o FT, juntamente com a Administração
Regional de Saúde do Centro e a Universidade de
Coimbra, organizaram, naquela cidade, um encontro Internacional
de Saúde em Timor Leste, que teve lugar entre 16
e 18 de Março de 2000. O encontro, embora aberto
a todos os interessados, destinou-se sobretudo a profissionais
de saúde timorenses, tendo apostado no debate e
análise sobre sistemas de saúde, e na promoção
deste sector como factor de desenvolvimento.
Ainda no âmbito da preparação deste
encontro e procurando contribuir para o reforço
do FT, que congrega diversos timorenses que em Portugal
trabalham no sector da Saúde, o CATTL concedeu
um financiamento de € 2.494 para apoio ao funcionamento
daquela organização.
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